Vegetarianismo Contra o Câncer

August 31, 2017

 

O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos catalogou, a partir de experiências em células (in vitro) e animais (in vivo), 400 substâncias encontradas em alimentos vegetais que provocam a morte das células cancerosas, não afetando as células normais, e chamou-as de “inibidoras da carcinogênese”.  Outras 40 substâncias estão em análise. 

 

O Fundo Mundial de Pesquisas sobre o Câncer e o Instituto Americano de pesquisas sobre o Câncer (WCRF/AICR) analisaram meio milhão de artigos científicos publicados em 5 anos, destes selecionaram 7 mil, que satisfizeram as normas de credibilidade, assim, concluindo que os alimentos de origem vegetal, integrais, têm componentes químicos nutritivos e não nutritivos que previnem o câncer e deveriam ser recomendados aos portadores de câncer.

 

No entanto, existem alimentos com componentes relacionados com a progressão do câncer. São alimentos de origem animal, concentrados em gorduras que, em excesso, são promotoras da carcinogênese (NACIONAL ACADEMY PRESS,  1982). São estes alimentos o leite de vaca e, principalmente, seus derivados, como o queijo, a manteiga, etc.  O simples fato de não usar queijo e manteiga no pão e óleos nas saladas (óleos - excesso de gorduras), em 1.200 mulheres portadoras de câncer de mama, reduziu 36% a mortalidade após 15 anos, em relação a 1.200 mulheres que utilizaram esses alimentos. (AICR, 2014). Outros fatores cancerígenos desses alimentos são que seu consumo eleva os níveis sanguíneos de IGF-1 (insulin growth fator- 1) relacionado com a progressão do câncer, o excesso de cálcio inibe a conversão da vitamina D em D3, que protege contra o câncer e o excesso de caseína (queijos) é potente indutor da carcinogênese (CAMPBELL, 2014).

 

Também, o consumo da carne vermelha e das carnes processadas (presunto, salsicha, peito de peru, salame, mortadela) aumenta o risco de câncer de colón e induz sua progressão (AICR – WHO).

 

O consumo, regular e diário, de leite e seus derivados, como os queijos e a manteiga, é consistentemente associado ao aumento no risco de câncer de próstata, principalmente, câncer de próstata fatal (Giovannucci, 2006; WCRF/AICR, 2007).

 

As proteínas animais induzem aumento da síntese hepática do IGF-1, o qual é relacionado com a progressão do câncer. As proteínas vegetais inibem a síntese do IGF-1 (IGF-1:  Insulin Growth Factor -  Fator de crescimento semelhante à insulina).

    

Estudos epidemiológicos revelaram que, na China, em 2005, quando não se usava leite e derivados no desjejum, a incidência proporcional de câncer de próstata era de 1 caso por 100.000.  Nos EUA, era de 120 por 100.000 quando os chineses emigravam para os EUA, mudando o desjejum, passaram a ter a mesma incidência que o americano.  Fato similar ocorreu com o câncer de mama no Japão, onde não se usava leite e derivados no desjejum. A incidência proporcional de câncer de mama, em 2005, era de 0,5 caso por 100.000. Quando ocorria migração para os EUA, na 2ª geração, após incluir leite e derivados no desjejum, a incidência aumentava para 100 casos por 100.000, igual a americana (Tam C Há  “Phytoestrogens and indicators of breast câncer prognosis” Nutrition and Cancer 56(3) – 2006  McCann, M.J. : “ Role of Mammalian Lignans in the prevention and treatment of prostate câncer” Nutrition and Cancer vol 52(1) 2005).

 

Portanto, a alimentação a ser recomendada para pessoas portadoras de câncer é vegetariana estrita, integral e preferencialmente orgânica.  Essas alimentações contêm centenas de componentes que provocam a morte (apoptose) das células cancerosas a partir de vários mecanismos. Não devem ser usados para estes pacientes alimentos relacionados com a progressão do câncer.

 

Cereais integrais, leguminosas, legumes e verduras, frutas, sementes e nozes, como a soja, arroz integral, milho, aveia, chás, brócolis, repolho, agrião, feijões, endívia, alho, tomate, morango, uvas têm polifenóis como kampferol, quercitina, galato de epigalocatequina, isoflavonas, miricetina, genistein, resveratrol, que inibem a captação de glicose pelas células cancerosas, causando deficit energético, levando-as à morte  (Claudia Azevedo: “The Chemopreventive Effect of the Dietry Compound Kaempferol on the MCF-7 Human Breast Cancer Cell Line is Dependent on Inhibition of Glucose Cellular Uptake”  Nutrition and Cancer, 67(3), 504-513, 2015 ).

 

Como a alimentação vegetariana estrita não contém vitamina B12, recomendamos o acompanhamento periódico dos níveis dessa vitamina no sangue. E vale lembrar que a deficiência de vitamina B12 é, também, bastante prevalente na população onívora, igualmente, demandando atenção.

 

Recomenda-se, também, quando possível, ao portador de câncer, a prática de atividade física aeróbica, 1 hora por dia, o que aumenta 100 vezes a Citoquina IL-6, anti-inflamatória, com atividade antitumoral. Nesse sentido, a prática de atividade física, também, convincentemente, reduz o risco de câncer (AICR).  

Recomenda-se, ainda, a exposição ao sol, com o máximo de pele descoberta por 10 a 15 minutos ao dia, para que os níveis de vitamina D no sangue cheguem a 50ngs/ml, ideais para o baixo risco de câncer.

O programa de nutrição e atividade física para a regressão do câncer, portanto, inclui dieta anticâncer, atividade física e sol.

Atendemos 692 pacientes, em 32 anos, portadores de variados tipos de câncer.  Aproximadamente, 110 pacientes aderiram totalmente ao programa, sendo que cerca de 90% está em remissão, o mais antigo há 32 anos. Em, aproximadamente, 30%, o programa foi praticado na vigência de quimioterapia. No restante, esta não estava indicada.

 

Em extenso trabalho de revisão, englobando 22 tipos de câncer (Morgan, G.: “The contribution of cytotoxic chemotherapy to 5 year survival in adult malignancies” Clin. Oncol 2004 Dec; 16(8); 549-60), na Austrália e nos Estados Unidos, pacientes que se submeteram à quimioterapia, somente 2,3% na Austrália e 2,1% nos Estados Unidos, viveram mais de 5 anos.

Provavelmente, isso ocorre porque os pacientes não são orientados a mudar para uma alimentação inibidora da carcinogênese, permanecendo com a mesma alimentação promotora do câncer, aumentando o risco de recidiva e metástases após período variável de alguns anos.

 

O programa de nutrição e atividade física para a reversão do câncer deve ser orientado e acompanhado por médico experiente no assunto, em paralelo com o oncologista.

Mais informações em nosso livro, intitulado “SuperAlimentos”, disponível a partir do telefone (11) 2950-5044 ou nas livrarias Cultura ou Saraiva.

 

 

 

Sidney Federmann

 

Médico

Pós-Graduado em Nutrologia

Oncologia Nutricional.

      

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